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sábado, 16 de julho de 2011

Procura-se um Poeta

Por PaTTi Cruz)

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Procura-se um Poeta que não saiba escrever.

Não que não conheça as letras.

Mas, que não tenha a voraz necessidade de agrupá-las.

Procura-se um Poeta para ser Poeta, apenas.

Simples Poeta que sente...

Não que não conheça os sentimentos e seus conceitos.

Mas, que valorize sua transpiração.

Procura-se um Poeta-Plátano

Que entenda das folhas.

Que saiba ler seus vincos e absorver suas marcas como trajetórias de aprendizado

Procura-se um Poeta que entenda de folhas, caro amigo!

Das folhas deste Plátano que o faz existir Poeta e vice-versa.

Por que o Plátano?

Porque os Plátanos, por assim dizer, creio...sejam o análogo dos Poetas.

O Plátano vive intensamente, por exemplo, as quatro estações do ano:

Na Primavera, ficam cheios com folhas verdes brilhantes;

No Verão, ficam frondosos e oferecem sombra;

No Outono, douram os dias com suas folhas amarelas;

No inverno, suas folhas caem, oferecendo um tapete de passagem para novos rumos.

Procura-se um Poeta que saiba existir, que viva intensamente, transpire as emoções, sem o compromisso de justificá-las.

Procura-se um Poeta que esteja disposto a oferecer as novas folhas de Plátano - a descoberta; a oferecer a sombra das copas – o acolhimento; que esteja disposto a dourar os dias – renovando os espaços; que esteja disposto a estender o tapete generoso de folhas – buscando conquistas.

Procura-se um Poeta-Plátano que fale com a voz da alma e que toque com a sensibilidade do olhar...

Sem Limites

(Por PaTTi Cruz)

“A partir de hoje quero a falta de limites para experimentar!

Quero a falta de reflexões para viver sem culpa!

Quero insanamente me jogar no mundo, nas linhas de partilham os caminhos de minha existência,

Como se estivesse deitada nos trilhos do trem, que penso, logo irá passar, Preciso aproveitar os instantes...ver o céu, sentindo-me correr riscos.

Quero a plena satisfação de ser e nada mais me importar.

Porque saber do mundo seus pensamentos e devaneios?

Porque saber das pessoas suas palavras e intenções?

Se a doce loucura do que sou e desejo me basta!?

Quero ser, apenas, arriscar, fluir na margem do que me resta viver, mergulhar no sonho de não esvanecer...

Nada mais me importa, a não ser eu mesma!”

Justificando minha pele de palavras

Por PaTTi Cruz

A escrita é minha segunda pele e não escrever ou registrar idéias, pensamentos e sentimentos e quase como andar nua pela rua. Já me perguntaram como este processo acontece, da escrita, da criação. Nunca sei dizer o que fecundo primeiro se corpo ou espírito da escrita. Se primeiro nasce a idéia, as imagens que crio mentalmente, as palavras ou sentimentos. Talvez, até tudo isso se manifeste em um só momento, meio misturado na minha mente...O fato é que o impulso de escrever assume o comando e vem o título do tema, é o batismo da escrita. E, daí por diante é psicografar os próprios devaneios, sem a censura do correto, apenas deixar fluir e depois, por último organizar o contexto. O qual, na maioria das vezes também nem necessita de estruturações maiores, pois afinal, assim são os devaneios...

As palavras proliferam e transitam entre mente e papel. E nesta ação de imprimir palavras sinto o terapêutico se aconchegando de uma forma bem amena e menos assustadora do que o divã e os olhos do analista. É que claro que da mesma forma que ocorre durante a sessão, tenho que pensar sobre as palavras, mas de um prisma muito menos ou quase nada racional. Perdoem-me as analistas, não faço aqui apologia a poética da escrita em oposição ou sentimento de contrariedade a esta outra abordagem terapêutica. Mas, prefiro dar passagem as letras longe dos sofás e poltronas que filtram a alma e dissecam os sentimentos através dos longos olhares e hum...hum...prossiga!

Assim, sigo meu caminho por entre as letras. E as linhas do papel ou a ausência delas me acolhem na minha presença ou ausência momentânea, conseguindo por ora acomodar minhas dores e amores de maneira mais confortante.

Sacralizada Arte da Sensibilidade

(Por PaTTi Cruz )

Do cotidiano ao obsoleto mundo que nos percorre, os devaneios de uma sensibilidade emergida dos sulcos da alma seria, talvez, a alternativa mais breve de transcender a desumanidade. Os espectros de ser e estar no mundo que compartilham da boa fé e da boa vontade de inspirar-se na vida para dela fazer caminho, nos configura um outro eu que de fato não somos. Nem tampouco curvamo-nos a procura de sua essência em sua tenra terra que nos acolhe.

O fato de dilacerarmo-nos em sentimentos e esvoaçarmos em asas de borboletas que tem curta temporada de vida, faz com que apressemo-nos no desbravamento do mundo sem se quer nos integrarmos com o teor de nossa existência e a partir destas atitudes passamos apenas a subsistir. Esta força de persistência de permanência no mundo nos torna frágeis e vulneráveis aos sentidos em sua origem real. Ou seja, vivemos em um espaço e tempo e definimos a vida pela circunstância em que nos é apresentada num dado momento. É descabido pensar por onde circula a sensibilidade da admiração? Ou mais descabido seria pensar se há espaço para ela quando neste contexto estamos aptos a realidade que nos é colocada como cruel e que a luta é que faz parte do existir?

Diante dos fatos, cremos que não há lugar de onde falemos que apareça a possibilidade da sensibilidade, então, emergir. Não há caminho por onde ela possa surgir, não há fenda por onde sua luz possa penetrar. Há que se buscar um espaço para a tomada de consciência sem que se perca a sensibilidade e ainda, que se procure por ela nas mínimas coisas que a vida nos propõe. Não nos serve de pensar que aqui se considera a idéia de ir contra, deliberadamente, a realidade em que vivemos, mas ao contrário, a partir dela poder realçar as nuances do que é significativamente, manifesto na arte de existir. Não se deseja um mundo onde não tenha razão, mas também é preciso um mundo onde os sentidos tenham sentido e onde as sensações componham o homem em toda a sua natureza.

No universo do sentir, onde as artes têm uma colocação destacada, o homem vive por assim dizer, sua mais autêntica existência, convivendo pacificamente entre a consciência de sua observação e atribuição de sentidos e sua força imagética que alimenta a natureza da alma. A arte pode ter muitas conotações e dentre elas alguma que explore o caráter estético, mas não é esta arte que tornamos parte deste momento. Sabe-se da arte como forma de linguagem e expressividade e é justamente neste alicerce que fundamento e sacralizo sua importância. É neste olhar de contemplação onde se misturam obra e criador que integram-se e interagem na cumplicidade suprema e que ao mesmo tempo revelam e secretam as emoções, que expande-se a evolução da existência permeada pela sensibilidade. Nesta tênue fronteira onde o sol se põe e a lua nasce para a noite, em um encontro mágico em frações de segundos é que o mesmo apaixonamento entre autor e obra ocorre, substancialmente. É como se observássemos por um instante as raízes de uma árvore calcadas na terra de onde se nutrem para manter a espontaneidade da beleza de suas folhas e quem sabe frutos....e logo depois, em um instante seguinte, passássemos a admirar nestas raízes a história da completude desta árvore que não impõe limites entre o solo e o ápice dos galhos que aproximam-se do céu. É nas raízes onde sua história avança para a liberdade, onde seus braços buscam o alcance do ar, da vida à fora e se expande em beleza a ser compartilhada com o mundo que a totalidade da vida e da arte comungam.

“A criação está relacionada com a imaginação.
O ato criador sempre foi para mim algo transcendente,
algo que leva para além da liberdade através da necessidade.
Em certo sentido, se poderia afirmar que o amor à criação é desamor ao ‘mundo’,
impossibilidade de permanecer nos limites deste ‘mundo’.
Por ele, na atividade criadora existe um momento escatológico.
O ato criador é a vinda do fim deste mundo e o começo de outro mundo.”
Nikolay Alexandrovich Berdiaev,
“Autobiografia Espiritual”, 1957, p. 206

Considerando os aspectos da vida cotidiana, onde a ciência tem o destino de comprovações e a palavra final, o caminho abrangente da arte persegue o rumo oposto segundo certas concepções. Mas, é necessário relembrar que a arte fez parte de muitas sentenças de partidários do cientificismo. Freud, Nise da Silveira, Jung e outros deixaram-se seduzir pelo universo da arte em suas sessões e foram vencidos pelas possibilidades oferecidas através do conteúdo inebriante e suas provocações que despertavam entendimentos a respeito do paciente ou cliente, concatenando neste instante o racional e emocional do sentido. Portanto, não há porque nos rendermos as contestações quando os fatos são consistentes. Existe na arte uma força de manifestação genuína e inerente ao ser, onde a essência humana se clarifica e transborda de sentido. No mesmo espaço há lugar para a sustentação da razão e da emoção, em ritmos que se complementam harmonizando os conteúdos internos do ser em uma melodia uníssona. Criar é uma necessidade do homem na busca de uma evolução contínua. É nesta celebração de idéias e sentimentos que infunde-se o respeito do homem pela vida e vice-versa. Assim a análise da arte e sua totalidade na vida ou da vida totalizada na arte, em comunhão com a essência do homem, não pode ou deve ser apreciada de maneira desarticulada do contexto da cientificidade. A neutralidade ou contrariedade da ciência nos conteúdos julgados abstratos da arte como fator que também é composto de cientificismo, foge da crença de que o homem não é só organismo, mas o é também sentido e significados em mente e psiquismo. A arte completa o homem, tanto quanto a ciência faz evoluir a vida. Ainda mais além, creia-se que a arte da evolução está no olhar científico que se permite vislumbrar que a ciência é arte, e a arte está agregada suas forças, à realidade congênita do espaço e tempo, assim como transita na orla do que afasta-se do contexto comum, mas nem por isso deixa de ser arte ou de fazer parte do mundo.

Olhar uma obra tem o sentido de perceber suas formas. Observar uma obra tem o sentido de analisar e julgar esteticamente, ainda que não seja nossa qualificação para tal. Interagir com a obra, comunicar-se com ela, estabelecer uma relação, eis o verdadeiro sentido de sua existência. Para isso, é preciso estar aberto e alheio às referências do bem e do mal, do certo e do errado, dos extremos e opostos sensos críticos. É preciso ser leal aos sentidos que nos facultam ser e poder experimentar a vida. Esta magnitude de homem que admira e aprecia o mundo e suas formas de arte é que nos possibilita não apenas ser testemunhas oculares, mas ser cúmplices dos movimentos, tensões, ritmos e musicalidade contidos na obra.

Creio, então, que se nos curvarmos um pouco mais, despidos desta desmesura ansiosa da sobrevivência, e nos aninharmos nos poros da terra, talvez assim alimentemos nossa alma. Talvez possamos refletir nossa imagem nas águas profundas que matam a sede das raízes e nelas encontremos nossa história e nossa essência, podendo fazer da vida, apenas vida em sua sutil forma de revelar o mundo e suas belas artes a serem apreciadas, sem julgamentos.

Mergulhando na vida – Crença ou quebra de paradigmas?

Por PaTTi Cruz

Talvez, um de nossos maiores pesadelos seja “acordar” e perceber que não estamos dormindo. Talvez seja olhar no espelho e ver alguém que não reconhecemos como nós mesmos, e sim, como um outro distante. Nosso olhar sobre o mundo e principalmente sobre nós mesmos devaneia-se pelos confins onde a estrada não atinge o limite do eu.

A grande frustração humana está no fato de que o dia em que descobrimos o caminho parece já ser tarde demais para tudo que já percorrermos. Talvez, esta seja uma visão cruel dos acontecimentos, mas a verdade se instaura, justamente, na crueldade daquilo que não vemos.

Há uma possibilidade, uma escolha. Não um único caminho, pois a vertentes são muitas, mas o foco é não perder o foco e descrer de todos que se negam a perceber. Parece que uma nuvem escura paira quando há um convite de mudança de planos, uma mudança na forma de observar e perceber as coisas. As relevâncias são poucas de que os fatos acontecerão de outra maneira se nós buscarmos as mudanças.

Sim, é verdade que não é algo sutil a ser feito, é necessário coragem, pois aí é que nos deparamos com aquele estranho do espelho que nos espreita, até sorrindo, sarcasticamente, como a Monalisa e que nos desafia a mudar o cenário que outrora parecia tão seguro. Seguro, é claro, pois estamos distante dos erros. Pensamos, equivocadamente, pois sem mudar, nos distanciamos apenas dos novos supostos erros, que são na verdade riscos. E para viver, é preciso correr riscos. Mudar! E é com a mudança que eles chegam. Notavelmente, nos achamos protegidos por já sabermos onde estamos, mas, sem se quer dar-mo-nos conta de que precisamos ir. Se permanecermos no mesmo contexto, no mesmo cenário, não quer dizer que estamos protegidos, quer dizer que não arriscamos e portanto, não vivemos.

Nosso mundo, nosso pequeno e padaroxalmente, imenso mundo interno reserva mistérios para que desvendemos. Sob o sol, percebemos que ao nosso lado há uma sombra, assim como da mesma forma, ainda que o sol ali não esteja, lá ela permanece, oculta de nossos olhos, mas, não oculta de nós. Quando Jung menciona: “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”, talvez esteja querendo justamente instigar-nos ao atravessamento dos mundos, de nossos mundos. Nas fronteiras do desconhecido está uma vastidão de fortalezas a serem exploradas. E toda a segurança daquilo que já sabemos, sejam acertos ou erros, faz proliferar a insegurança de desbravar os territórios por nós ainda considerados inférteis.

Creio que acertar seja humano, diferente do que ouvimos ao longo de toda nossa existência. Pois nos provemos de virtudes que nos fortalecem através de nossas experiências para querer estar no caminho certo. E é justamente o desejo, o querer que nos move favoravelmente no sentido e fluxo da vida. Permanecer no erro, ou ainda permanecer nos campos, supostamente seguros, é não abrir uma possibilidade de conexão com o ser criativo que habita em cada um de nós. É não abrir a possibilidade para mergulhar no universo e sentir-se livre para expandir os horizontes de tudo que nos completa como seres de existência e impermanência. A criatividade de transformar o olhar, de ampliar a percepção é um aporte para o equilíbrio entre as partes e o todo que nos estrutura como indivíduos. É navegando no fluxo da vida em direção aos nossos universos que derrotaremos nossos medos, ou melhor, transformaremos nossos medos na substância alquímica que é capaz de nutrir nossa evolução.

A Escrita como Segunda Pele


(Por PaTTi Cruz)


Teimo em sentir aquilo que não sei decifrar. Assim, meus dias passam pelas voltas do relógio e pelo contorno do tempo, que habita um olhar assustado e ao mesmo tempo intenso e ávido por descobertas. Ouço os passos do coração que acelera a cada pensamento que vaga na orla de minhas divagações. Sucintos ou, complexos e longos os dias transcorrem e carrego em minhas veias a força que pulsa por escrever palavras.

Sento em frente à janela de enormes bordas de madeira maciça e olho o vento soprar como se por ele voassem letras que devo alcançar. Tento apanhá-las com as pálpebras que gesticulam afoitas pela captura do tom. E é neste momento que percebo, aquelas que se vão com o vento não são minhas palavras, mas as de alguém que por certo as abandonou. Entendo, na complexidade da alma de poeta que palavras, ainda que sejam as mesmas, cada um tem as suas e cada uma delas é recheada dos sentidos que queremos dar. Divago e devaneio pelo meu dicionário interno e encontro novas-velhas-palavras, novos- velhos- contos que li em outros tempos, percorro versos e abraço estrofes inteiras com um só toque, com um só lampejo de olhar.

Pelas frestas da janela, porque agora resolvi fechá-la, antes que as palavras de mim se apossassem, entra um rasgo de luz que ilumina o quarto, a ponta da escrivaninha e o espelho que está às minhas costas e, que na parede projeta minha sombra rejuvenescida pelas lembranças que insistem em aparecer. Só observo...e sinto.

Eis que vejo na ponta da caneta e nas linhas que discretas e racionais cumprem seu destino de compor a folha abaixo dos meus olhos, a possibilidade da loucura e do desejo de gritar sentidos, acontecer. A loucura do doce alívio de esparramar o que penso, deslizando trechos de existência nas pautas estilosas do papel alvo que me aguarda. Penso no que me salvaria a vida, o que salvaria o mundo, o que me salvaria de mim mesma!!! E a única coisa que entendo é que preciso escrever. Então começo...sem racionalizar, apenas deixo que elas surjam vindas não sei bem de onde e as liberto. Vem amor, paz, conquista, angústia, desejo, sereno, hóspede e derradeiro, vem não quero e austero, mundo e tabuleiro. T-a-b-u-l-e-i-r-o...Será o jogo de xadrez? Será que eu estou no xadrez, atrás de grades que criei? Ou são as frestas da imensa borda de madeira maciça que faz esta janela parecer uma cela! Será que estou ainda no xadrez do jogo do mundo e, que peça eu sou? Peão, torre, bispo, rainha....sou eu quem jogo? Ou a jogam comigo? Plena e satisfeita pelo anúncio de libertação das letras me comovo em gestos com a caneta. A folha alva de minutos atrás, agora parece a janela, só com frestas de linhas que sobram apenas por instantes, até que mais palavras gritem e clamem por soltura. E lá vem elas, em quantidade absurda! Não sei quantas mais cabem e nem por quanto tempo mais tolerariam permanecerem ocultas! Vem ápice, alheio, devaneio, confuso e poético, um sentido correndo solto se lança na linha reta, para em seguida ter ao seu lado a curva do tempo, sinuosa e misteriosa. Vem segredo, paixão, atônita e ambígua, saltos, movimento, veloz e algoz, reminiscências, pecado, doce pecado. Mais lentas agora, parecem que dançam em minha mente. Um ballet convicto de passos que sabem de sua estrada, convicto que o espetáculo esteve grandioso e impressionante, sem deixar vestígios de fuga, colorindo todo o palco com um brilho deslumbrante de quem soube viver.

Finalmente abro a janela e acaricio a madeira maciça que me protege, certa de que não desejo mais a penumbra, deixo a luz entrar, olho feliz para fora e permito que o vento vá carregando as palavras que não me pertencem...As minhas, apenas as minhas permanecem na minha própria impermanência. Sossego um pouco, e se fosse o caso, poderia morrer agora, vestida das folhas escritas com todas as palavras que conheço como se elas fossem a minha segunda pele me revelando poeticamente para o universo.